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September 25, 2026

Ansiedade no trabalho: mais da metade dos brasileiros já apresenta sintomas

Mais da metade dos brasileiros apresenta sintomas de ansiedade. O que isso diz sobre o ambiente de trabalho?

 

        A ansiedade nem sempre é visível. Ela pode estar na pessoa que participa de todas as reuniões, entrega suas tarefas, responde mensagens e segue cumprindo a rotina normalmente. Por fora, tudo parece estar funcionando. Por dentro, porém, podem existir preocupação constante, dificuldade de concentração, noites mal dormidas, irritabilidade e uma sensação permanente de sobrecarga. Talvez seja justamente por isso que a ansiedade tenha se tornado um dos maiores desafios da saúde corporativa atual.

        Um levantamento realizado pela Becare com mais de 35 mil brasileiros ajuda a dimensionar este cenário: 52,6% dos participantes apresentam sintomas de ansiedade. Além disso, 11,5% relatam sintomas de depressão.

        Os números já seriam suficientes para chamar atenção, mas existe outro dado importante por trás deles - grande parte das pessoas que apresentam sintomas de ansiedade ainda não recebe acompanhamento adequado. Entre os participantes ansiosos, 67,1% não fazem psicoterapia e apenas 20% possuem acompanhamento psiquiátrico. Ou seja, estamos falando sobre um problema presente na rotina de milhares de pessoas, mas que, muitas vezes, continua sendo enfrentado de forma silenciosa.

        E quando levamos essa realidade para dentro das empresas, a saúde mental deixa de ser apenas uma questão individual. A ansiedade pode afetar a concentração, a capacidade de tomar decisões, a criatividade, as relações entre os colegas e a produtividade. Ela também pode contribuir para absenteísmo, afastamentos e deterioração da experiência das pessoas no trabalho. Por isso, olhar para saúde mental exige ir além de ações pontuais ou de benefícios oferecidos isoladamente.
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A saúde mental não começa e nem termina na mente

 

        Um dos principais aprendizados da pesquisa da Becare é que não podemos analisar a saúde das pessoas em partes separadas. O estudo avaliou cinco dimensões do bem-estar:

- saúde mental

- saúde física

- saúde financeira

- relações sociais

- ambiente de trabalho
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        Os resultados mostram como fatores aparentemente cotidianos podem estar profundamente relacionados ao equilíbrio emocional. O sono é um bom exemplo. Na população analisada, 11,5% apresentam sintomas depressivos. Entre as pessoas que relatam dormir bem, o percentual cai para 5,2%. A relação também aparece quando observamos o estresse. No total, 17,7% apresentam níveis elevados de estresse. Entre aqueles com boa qualidade de sono, o índice cai para 9,4%.

        Isso ajuda a mostrar por que falar de saúde mental exige falar também sobre hábitos, rotina e contexto de vida. Sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool aparecem associados à pior qualidade do sono e a níveis mais altos de estresse. Ao mesmo tempo, dificuldades financeiras, isolamento social e outros fatores de vulnerabilidade podem se somar e aumentar os riscos para a saúde.

        No trabalho, essa conexão também é evidente. A pesquisa identificou que 34,4% dos trabalhadores lidam diariamente com tarefas emocionalmente exigentes. Alta demanda, dificuldades na gestão de mudanças e baixa autonomia para realizar algumas atividades aparecem entre os fatores de risco observados.

        É por isso que não basta perguntar se uma pessoa está ansiosa. Também precisamos entender o que está acontecendo ao redor dela. Como ela dorme? Como está sua saúde física? Existem dificuldades financeiras? Ela possui boas relações sociais? Como percebe o ambiente de trabalho? Tem autonomia? Convive constantemente com demandas emocionalmente desgastantes?

        Quando essas informações são analisadas em conjunto, a empresa deixa de enxergar apenas sintomas e começa a compreender melhor os fatores que podem estar contribuindo para eles.

Na Becare acreditamos que este é um dos caminhos para transformar a saúde corporativa. Utilizar dados para compreender a experiência real das pessoas e identificar riscos antes que eles se transformem em problemas maiores! E a tecnologia permite acompanhar diferentes dimensões do bem-estar de maneira integrada, ajudando organizações a enxergar padrões, identificar grupos que precisam de maior atenção e construir estratégias de cuidado mais direcionadas.

        Isso não significa substituir profissionais de saúde ou transformar cada indicador em diagnóstico. Significa ter mais informação para tomar decisões melhores. Uma palestra sobre saúde mental pode gerar conscientização. Um benefício pode facilitar o acesso ao cuidado. Uma campanha pode abrir espaço para conversas importantes. Mas problemas complexos dificilmente serão resolvidos por uma única iniciativa.

        Quando mais da metade de uma população avaliada apresenta sintomas de ansiedade, precisamos ampliar a discussão. Saúde mental deve fazer parte da estratégia de saúde das organizações conectada ao ambiente de trabalho, aos hábitos, às relações, à prevenção e ao acompanhamento contínuo.

        A pesquisa da Becare também identificou que 21% da população analisada já apresenta algum nível de risco para adoecimento em saúde mental. Esse dado reforça uma questão essencial: esperar que o problema se torne um afastamento, uma crise ou uma perda significativa de qualidade de vida significa agir tarde demais.

        Cuidar antes exige conhecer. Conhecer exige acompanhar. E acompanhar exige deixar de olhar para saúde como uma fotografia tirada em um único momento e começar a enxergá-la como uma história que se constrói todos os dias.

        Para as empresas, a mudança de perspectiva pode representar ambientes mais saudáveis, pessoas mais amparadas e decisões de gestão baseadas em evidências. Para os colaboradores, significa perceber que a saúde mental não precisa ser um problema invisível a ser enfrentado sozinho.

        Acreditamos que saúde corporativa, de verdade, começa quando o cuidado deixa de ser apenas um benefício e passa a fazer parte da forma como a organização entende, acompanha e cuida das suas pessoas.

 

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